quinta-feira, 12 de abril de 2012



Seus olhos me liam tão profundamente que nem eu sei ao certo o que tinha para ser lido. De certa forma, aquilo me constrangia. Tinha medo que até meus maiores erros, meus maiores medos, coisas que nem eu sabia que existiam tivessem transparecendo e me entregando ao seu olhar. Meus olhos junto aos seus, depois de muito tempo, tinham me dado a impressão que você sabia coisas minhas que até eu não sabia. Um misto de admiração e recusa se apossava de mim: seu jeito analisador, seu olhar era fascinante. O problema é que eu era a analisada. O problema era eu não conseguir te analisar.
(Cora Leopoldina)

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