Seus olhos me liam tão profundamente que nem eu sei ao certo
o que tinha para ser lido. De certa forma, aquilo me constrangia. Tinha medo
que até meus maiores erros, meus maiores medos, coisas que nem eu sabia que
existiam tivessem transparecendo e me entregando ao seu olhar. Meus olhos junto
aos seus, depois de muito tempo, tinham me dado a impressão que você sabia coisas
minhas que até eu não sabia. Um misto de admiração e recusa se apossava de mim:
seu jeito analisador, seu olhar era fascinante. O problema é que eu era a
analisada. O problema era eu não conseguir te analisar.
(Cora Leopoldina)
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