segunda-feira, 8 de abril de 2013


Gosto do ar da noite, do frescor, da impressão de não existir mais ninguém no mundo, só eu. Sinto-me mais livre, mais completa. O breu vira luz aos meus olhos fechados e as soluções para problemas nunca existentes aparecem rapidamente.
-Cora Leopoldina

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O despropósito tomava conta da minha cabeça e naquele finalzinho de tarde, eu andava a esmo, sem saber nem o que pensar. As ruas frias com todas aquelas placas e cartazes não estavam ajudando em nada, mas parecia ser mais confortável estar ali do que em qualquer outro lugar. Ali ninguém parecia me notar,e era daquilo que eu precisava: Não ser notada. Queria poder ser totalmente livre naquele lugar e dizer como eram hipócritas todas as suas atitudes e como me revoltava essa hipocrisia que começava a me engolir com o ganho da maturidade. Era uma droga que consumia toda a humanidade e que ninguém parecia sentir. Tratavam e tratam como se fosse normal, como se fosse um remédio homeopático contra os sofrimentos fúteis de todos. Como se esses sofrimentos não fossem causados justamente por essa falsidade estampada nas grifes, nos carros, na disputa de quem tem mais, quem pode mais. É tudo muito sujo e continua ainda mais... E eu naquele momento, queria ser avessa aquilo, para que minha alergia da alma não resolvesse expelir por meus poros em forma de duras palavras sobre essa sociedade.

(Cora Leopoldina)

terça-feira, 7 de agosto de 2012


 Nas nostálgicas noites de insônia, meu cérebro parece gravar coisas que eu ainda não vivi. Ele acredita piamente em todas aquelas mentiras, todas aquelas ilusões, e me tortura. Vejo no brilho das estrelas uma vida paralela a minha, com ar esnobe e perfeito. Logo não quero mais sair daquele mundo, meu eu se mistura aquela personagem tão parecida comigo e tão diferente... Como se um átomo diferente nos separasse, mas sinto que ela está ali,pregada ao meu corpo, esperando um momento para se unir a mim. Sinto que todos os outros personagens ali presentes na minha vida paralela também são as essências dos que estão ao meu lado, no dia-a-dia. Queria que fosse. Queria viver nesse  mundo, porque no mundo real, às vezes sinto que só sobrevivo.(Cora Leopoldina)

sexta-feira, 27 de abril de 2012

A paisagem já me lembrava inverno e o vento oriundo do infinito trazia palavras de Sócrates em meu ouvido. O clima morto e gélido adocicava as minhas lembranças profundas.A morte de tudo esbanjava vida em meu olhar.
(Cora Leopoldina)

terça-feira, 24 de abril de 2012


Quero ter raiva das pessoas infantis

Mas acabo tendo raiva de mim mesmo
Quero fugir dessa situação
Mas quanto mais o tempo passa
Mais eu me enrolo nessa teia
Essa teia imensa que me prende
E que me obriga a tentar sair
Sem o menor sucesso
Sem  a menor chance
Sem se quer uma ajuda de caridade
Sem se ter o direito
Da minha livre desde nascença,
Liberdade.
(Cora Leopoldina)

quinta-feira, 19 de abril de 2012


Busco uma perfeição só existente em mim. Todas aquelas capas com aqueles títulos brilhantes que já passaram em minha vida, nada mais são que livros nunca lidos profundamente. E às vezes, me arrependo vendo todas as oportunidades que tive de conhecer novas histórias, mas não. Preferi dar às costas as capas mal acabadas, aos títulos sem inspiração. E os que eu julgava “passáveis”, muitas vezes, só me decepcionavam.
O grande fato é que eu nunca parei pra perceber detalhes em nenhum.Por apenas não manterem o padrão de qualidade de ser “eu”. Por não apresentarem uma boa capa. E também, talvez, por todos eles não terem gostado dos meus títulos, das minhas capas, dos meus tantos jeitos de ser.
(Cora Leopoldina)

 Prendi-me tanto as palavras que quando elas pararam de aparecer, já não mais me reconhecia. Comecei a ver o quanto era só. O quanto não me abria, o quanto era só eu. Por mais que quisesse, não conseguia me abrir para outros, e quando me abria, só decepções... Perdida estou agora, esperando a volta das palavras, a volta de todos os meus eu’s inconscientes. Eles sim me fazem feliz.
(Cora Leopoldina)

Foi tão rápido quanto uma rajada de vento. Apenas uma palavra conseguiu derrubar todo o muro formado por nossa amizade. E em cima dos destroços, uma fortaleza de indiferença começava a surgir, no meio de nós. Doía, mas ninguém parecia se abater. Ninguém parecia ceder, deixando o clima pesado se espalhar ainda mais em nossa convivência. As conversas daí em diante só se tratavam de oposição de idéias, enquanto antes da discórdia tudo parecia em mais perfeita harmonia. Todos os sentimentos morriam junto com o silêncio mútuo que crescia, e as brincadeiras ingênuas pareciam nunca ter existido. Tudo morria na nossa curta e boa amizade, e apesar da dor se espalhando em mim, você nem parecia se importar.
(Cora leopoldina)

segunda-feira, 16 de abril de 2012


Naquela manhã, eu perambulava por todos os cantos da cidade. Minha cabeça girava. O suor corria em minha face. Dúvidas, medo, angústia, tudo isso transcorria em meu rosto...
“Quem sou...Onde moro...Minha cabeça...Que confusão..”
O mundo nos olhos, totalmente abstrato. Corro.Corro o mais que posso. Tento me esconder e corro. Eles estão em todos os lugares.
(Cora Leopoldina)

Quero ter raiva das pessoas infantis
Mas acabo tendo raiva de mim mesmo
Quero fugir dessa situação
Mas quanto mais o tempo passa
Mais eu me enrolo nessa teia
Essa teia imensa que me prende
E que me obriga a tentar sair
Sem o menor sucesso
Sem  a menor chance
Sem se quer uma ajuda de caridade
Sem se ter o direito
Da minha livre desde nascença,
Liberdade.
(Cora Leopoldina)