sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O despropósito tomava conta da minha cabeça e naquele finalzinho de tarde, eu andava a esmo, sem saber nem o que pensar. As ruas frias com todas aquelas placas e cartazes não estavam ajudando em nada, mas parecia ser mais confortável estar ali do que em qualquer outro lugar. Ali ninguém parecia me notar,e era daquilo que eu precisava: Não ser notada. Queria poder ser totalmente livre naquele lugar e dizer como eram hipócritas todas as suas atitudes e como me revoltava essa hipocrisia que começava a me engolir com o ganho da maturidade. Era uma droga que consumia toda a humanidade e que ninguém parecia sentir. Tratavam e tratam como se fosse normal, como se fosse um remédio homeopático contra os sofrimentos fúteis de todos. Como se esses sofrimentos não fossem causados justamente por essa falsidade estampada nas grifes, nos carros, na disputa de quem tem mais, quem pode mais. É tudo muito sujo e continua ainda mais... E eu naquele momento, queria ser avessa aquilo, para que minha alergia da alma não resolvesse expelir por meus poros em forma de duras palavras sobre essa sociedade.

(Cora Leopoldina)

terça-feira, 7 de agosto de 2012


 Nas nostálgicas noites de insônia, meu cérebro parece gravar coisas que eu ainda não vivi. Ele acredita piamente em todas aquelas mentiras, todas aquelas ilusões, e me tortura. Vejo no brilho das estrelas uma vida paralela a minha, com ar esnobe e perfeito. Logo não quero mais sair daquele mundo, meu eu se mistura aquela personagem tão parecida comigo e tão diferente... Como se um átomo diferente nos separasse, mas sinto que ela está ali,pregada ao meu corpo, esperando um momento para se unir a mim. Sinto que todos os outros personagens ali presentes na minha vida paralela também são as essências dos que estão ao meu lado, no dia-a-dia. Queria que fosse. Queria viver nesse  mundo, porque no mundo real, às vezes sinto que só sobrevivo.(Cora Leopoldina)